segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Ratatouille

A definitiva vitória da animação por computador ao combinar a mágica caricatural com o detalhe e texturas que só a computação gráfica pode oferecer.

Quando li a primeira resenha desse filme, pouco antes de ser lançado no Brasil, fiquei espantado quando usaram o termo "obra de arte" e como sou aficcionado por animação fiquei louco pra assitir (e no cinema) logo. Não exageraram.

Logo que o filme começa se percebe que estamos falando de um novo patamar na animação. As texturas e a iluminação são simplesmente perfeitas, mas não é nada comparado ao que vem por aí. As comidas e o cenário (cozinha) dão o show. A equipe se superou dessa vez em um trabalho de pesquisa monumental para desenhar todas as comidas, utensílios, panelas, os pratos e os ingredientes de forma tão espetacular que só de ver dá fome. Só faltou mesmo sair cheiro da tela. Os personagens estão ótimos e não tem como não se apaixonar pelo atrapalhado Linguini e pelo ratinho com crise existencial, Remy.

A história, naturalmente, é bobinha, afinal, é um filme de animação e as crianças tem que poder aproveitá-lo também. Mesmo que já a algum tempo esses filmes são verdadeiramente para toda a família, com piadas e conteúdos para todas as idades. Trata-se de um ratinho que vive nos esgotos de Paris que tem uma queda para culinária e não entende como seus irmãos a amigos conseguem se alimentar de lixo. Tudo muda quando em uma confusão ele se separa da familia e conhece Linguini, um desastrado aspirante a cozinheiro no mais renomado restaurante de Paris. Da parceira dos dois vão surgindo situações engraçadas e pratos deliciosos.

Esse filme com certeza está junto com Nemo e Os Incríveis no topo do topo das minhas animações preferidas. Nemo sendo o mais emocionante, Os Incríveis sendo o mais divertido, e esse, disparado, sendo o mais perfeito.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

The Chumscrubber (Más Companhias)

Uma crítica contundente da sociedade americana no formato de teen movie.

A primeira vista (na capa do DVD) é um teen movie como qualquer outro, mas quando você lê a sinopse e vê nomes como Ralph Fienes (que por sinal, está fantástico) e Glenn Close no elenco percebe-se que não poderia se tratar disso. E não se trata mesmo.

O filme conta a história de uma comunidade, ou melhor, um conjunto de condomínios nos EUA que vive em seu próspero, belo e organizado mundinho particular. Tudo é lindo, as casas, as pessoas e os arredores. As drogas, no entanto, se prestam a um papel um pouco maior do que a simples recreação e está nas engrenagens matrizes dessa sociedade. E não apenas usadas por jovens desavisados, mas por todos, inclusive aqueles que aparentam ser os mais certinhos. Quando falo droga, não me refiro apenas aquelas ilegais e óbvias. O filme não é óbvio.

O clima de teen movie permeia todo o filme, afinal muitas cenas ocorrem na escola e são vividas por adolescentes em pleno high school (como sempre), com pais boçais vivendo em enormes mansões.

Diferentemente da maioria dos filmes do gênero, a mensagem passada por esse filme é sutil e o final não é nada previsível. Existe uma certa loucura em alguns personagens e diálogos que simplesmente não caberiam na Sessão da Tarde. Não é nenhum grande filme, mas vale a pena pois surpreende por ser despretensioso e com uma direção e elenco de muita qualidade.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's 13)

A terceira edição dessa mega produção chega com força nos cinemas, mas com razão, filme com elenco de peso que vai de Brad Pitt ao ganhador do Oscar Al Pacino.

O filme respeita a fórmula dos dois enredos anteriores, especulações, canastrismo, reviravoltas, o sorriso canalha de Clooney, piadinhas dos comparsas, cassinos, planos elegantes (smoking a rigor), altamente tecnológicos, perfeitamente arquitetados e seguidos pela trupe, esta que, a cada filme aumenta seu número, seja para deixar a trama ainda mais complexa ou simplesmente pra deixar uma coerência de números. Será que daqui a uns anos vai chegar o Ocean's 20? Lógico, contando com os faxineiros e os jogatinos :).

Um dos pontos positivos do filme logicamente vai para o gênio Al Pacino, que simplesmente fez a franquia manter o patamar com seu show de interpretação, para quem poderia dar um papel de vilão se não para um dos melhores vilões de todos os tempos? Pelo menos desta vez Matt Damon teve uma presença razoavelmente atuante e cômica já que nos anteriores estava um pouco apagado, já Brad Pitt como sempre se mantendo o papel de bom amigo, co-atuante e coadjuvante do protagonista.

Algumas coisas não se encaixaram. Andy Garcia em toda franquia se mantém exageradamente frio e calculista. Até o maior dos canalhas merece um suor no rosto ou um cabelo despenteado. Acho que a frieza e distância ficou tão clara que atrapalhou sua própria competência artística no filme. Ou será o excesso de botox?

Para quem gostou dos anteriores será um prato cheio pela ação e pelo próprio jogo que circula em torno da trama, sem esquecer que é um grande presente para o público feminino. Para um pseudo-crítico como o editor desta coluna resume-se a um bom cinema-pipoca, que facilmente pode ser visto pela família num fim de semana.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

The Fountain (Fonte da Vida)

Um daqueles filmes que te faz pensar; que rende no mínimo um papo de uma hora no caminho de volta pra casa. Além disso, é lindo, com visuais que despertam os sentidos.

Não é novo, nem lançamento. Esse filme passou no cinema aqui no Brasil a cerca de 6 meses atrás, mas pelo visto, ninguém viu. Comento com amigos e ninguém sequer sabe que filme é esse. Uma pena. Espero que com mais essa resenha, eu consiga mais alguns espectadores brasileiros com quem poderei conversar a respeito.

O filme é um misto de épico/sci-fi/drama, e é excelente nos três. Conta a história de um casal; a mulher sofre de um câncer incurável e o marido é um pesquisador de elite que está perto de achar a cura.

As três historias em paralelo: um mundo fantástico, dentro de uma estrela, com belíssimos efeitos visuais, onde o protagonista agoniza de saudades de sua mulher enquanto mantém a árvore da vida. Na outra, se passa na Espanha dos tempos medievais aonde um conquistador sai a procura da árvore da vida para salvar o destino do império e de sua amada rainha.

A relação entre as três histórias (fora a Árvore, que está presente em duas delas) não é totalmente óbvia, e só após o fim do filme é que se consegue chegar a conclusão através de uma reflexão. A mensagem passada é profunda, coisa rara nos filmes de hoje. Talvez por isso esse filme não tenha feito tanto sucesso nas bilheterias, é um filme "difícil".

Parece meio óbvio dizer isso, mas as interpretações dos protagonistas Rachel Weisz (a Tessa de Jardineiro Fiel) e Hugh Jackman (o Wolverine) estão exemplares. É um filme basicamente triste e melancólico, e suas expressões não falham sequer um segundo ao expressar esse clima. O elenco conta também com a sempre bem-vinda Ellen Burstyn.

A direção desse filme é excelente, assinada por Darren Aronofsky (mesmo do Requiem Para Um Sonho). O que ele consegue fazer em termos de montagem e enredo, como as histórias se entrelaçam e vai sendo contada é genial.

E pra premiar ainda mais a mágica desse filme, ele conta com efeitos especiais e uma direção de arte e fotografia de dar inveja em um muito filme de diretor consagrado. As cenas da parte sci-fi, na estrela, especialmente a sequência final, são de te impedir de piscar os olhos por um bom tempo, é lindo.

Certamente foi uma bela supresa, pois eu também não sabia nada a respeito desse filme e ele foi aos poucos ganhando espaço e no final eu já estava totalmente envolvido e feliz por poder assistir a essa obra-prima na telona.

domingo, 27 de maio de 2007

O Cheiro do Ralo

Surrealismo e personagens bem construídos.


Vou confessar que no início senti que esse filme ia ser uma bela merda. Os primeiros dez minutos de filme apresentaram um problema que particularmente me irrita: o som. Sempre considerei o som do cinema brasileiro pífio. Não temos tecnologia nem capacidade pra captar uma bosta de som direito? Não! Isso se nota na grande maioria da produção nacional. Infelizmente esse filme tem um som ruim, a voz do Selton Mello, que já é grave, e nesse filme tem um tom ainda mais grave, as vezes fica incompreensível. (Será que era o sistema de som do cinema? Já vi outros filmes lá sem problema. Whatever, meu comentario sobre som no cinema nacional vale anyway.)

Bom, aos poucos fui me acostumando com o fato de que o som não era dos melhores, relevei e passei a curtir um puta filme. A cenografia impressiona e dá um ar "cool" pro filme, o escritório do protagonista e sua loja de penhores é fantástico. O filme tem um quê daqueles de detetive da década de 70, aquele clima sombrio, com frases em off dando lógica a narrativa, que se passa em sequências repetidas da vida do personagem principal: no bar, no escritorio, diante do ralo.

O enredo é simples, trata-se da história de um dono de loja de penhores que vive as voltas com pessoas querendo lhe vender os mais diversos pertences. Ele os compra ou não baseado no seu humor no dia ou se foi com a cara da pessoa, sempre muito ríspido e babaca (o qual Selton Mello leva a perfeição, canalha e psicopata - hilário). Em torno disso tudo adiciona-se fixação dele pela bunda de uma garçonete e um fedor enloquecedor que vem do ralo do banheiro.

É um típico "filme de personagens", e são os mais variados: a bunda, a dona da bunda, a viciada, o segurança, o olho, o ralo, etc. Se não fossem tão inteligentemente inseridas algumas reviravoltas loucas e inesperadas, o filme poderia se tornar meio chato, pela maneira como o enredo (repetitivo) é construido. O surrealismo permeia quase todas as cenas e diálogos, nunca dá pra imaginar o que vai acontecer, quem é o próximo a aparecer na loja, e os clichês não chegaram nem perto do set nas gravações.

Ah, trilha sonora: ducaralho. Rock progressivo nacional bombando, muito bom!

Depois daquela bosta de Céu de Suely, eu precisava de um filme nacional (mesmo que apenas na produção, pois a estética é totalmente americana) maneiro assim. Certamente, Heitor Dahlia é mais um diretor brasileiro a se prestar atenção.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

The Straight Story (História Real)

Nota sobre o título: repara-se nesse, mais uma vez, a impossibilidade de tradução para o trocadilho presente. O personagem principal se chama Alvin Straight, ou seja, "The Straight Story" significa ao mesmo tempo a história dele e "A História Real". Porém, ao traduzir o título para português, o trocadilho desapareçe por completo. São tão criativos na hora de inventar títulos ridículos para filmes, e nesse, super simples, não conseguem pensar em nada, ou pior, nem viram que o título era mesmo um trocadilho.

Simplicidade, sensibilidade e beleza.

São as três características mais marcantes dessa obra-prima de David Lynch. Ué, David Lynch? O mesmo diretor de Duna, Twin Peaks, Veludo Azul e Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos)? Mas esse cara num é meio maluco e só faz filme doido? Pois é, eu pensava assim também, nunca vi um filme "normal" dele. Na locadora, porém, pela capa e pela sinpose esse me cativou, minha namorada que viu na verdade, e resolvemos alugar. Na mosca, é um filmaço.

É uma história baseada em fatos (não, não "fatos reais", por que isso é um pleonasmo estúpido, você já ouviu falar de um "fato falso"?). Conta da viagem que um velho (idoso é mais políticamente correto?) que empreende uma viagem de 500km para ver seu irmão que recentemente sofreu um derrame. O interessante é que ele faz a viagem dirigindo um singelo cortador de grama, a uma média de uns 15km/h.

Não se trata de uma trama incrível, o enredo é o mais simples possível e tem pouquíssimos atores, mas a produção, a direção de arte e a fotografia são impecáveis. A trilha sonora cai como uma luva nos cenários de plantações de milho e lindíssima paisagens do centro-oeste americano.

O filme é daqueles que você pode chamar de "lento", porém profundo e belo. A atuação do protagonista, Richard Farnsworth, é emocionante, impossível não se apaixonar por aquele simplório e melancólico velhinho.

Certamente esse filme me fez ver Lynch com outros olhos. Do diretor malucão, pro diretor sensível e capaz de produzir uma obra de beleza plástica e emocional. Se você precisa de tramas complexas, suspense, finais surpreendentes, explosões ou paixões e tudo o mais, não veja esse filme, vai te parecer "coisa de velho" ou "um saco". Veja esse filme como quem assiste a paisagem passar pelo vidro do ônibus em uma viagem longa. =)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Spiderman 3 (Homem-Aranha 3)


Cinema-pipoca de primeríssima qualidade!

Interludio para definir cinema-pipoca: O que gosto de chamar cinema-pipoca é o tipo de filme que tem em sua principal função o entretenimento. Filmes que não te fazem parar pra pensar, filmes que não trazem questões reflexivas, raramento lidam com quotidiano ou pessoas como eu e você. Filmes com muitas explosões, personagens incríveis, mocinho e bandido, romances maiores que a vida, etc. Fim do interludio.

Pergunta: você não gosta de comer pipoca sempre que vai ao cinema? Sim, claro, porém eu precisava de um nome para esse tipo de filme, e "cinema-pipoca" me pareceu bom.

Pergunta 2: você sempre me pareceu o tipo que prefere filmes alternativos, geralmente europeus ou de estudios independentes, confere? Confere. Mas eu também curto o cinema-entretenimento. Não sou totalmente contra-Hollywood como dizem, apenas reconheco que de lá vem muito lixo, mas vem também uma enorme quantidade de filmes excelentes, e mais ainda, reconheço que na arte do cinema-pipoca, eles são insuperáveis.

Voltando ao filme. (ufa! achei que ia ficar de bla bla bla pra sempre).

Vi também os dois primeiros, e finalmente consegui arrastar minha namorada para um filme do gênero. Ouvi falar que esse era o melhor até agora, será? E num é que foi? Muito bom MESMO, o filme tem todos os elementos de um lindo filme de aventura-ação, com a mágica estética dos quadrinhos, fechando agora uma sequencia que para mim já superou o Superman e qualquer outro que tentou trazer a magia dos comics pra telona. Maior revolução nas sequências de ação desde Matrix. Melhores cenas de CG (computer-graphics) desde Matrix (kct! O que é a cena em que nasce o vilão Marko Flint? Simplesmente fantástica!). O filme conta com cenas de flashback dos dois primeiros, o que permite que pessoas como a minha namorada não fiquem completamente perdidos na trama (mesmo assim ela ficou, hehehe).

Para não dizer que o filme é perfeito, senti duas coisas fracas: o roteiro e o protagonista. O roteiro deixa um pouco a desejar pois ao mostrar o problema que o Peter Parker enfrenta ao travar contato com a "roupa alienígina" (que no filme não recebeu nome, porém sabemos ser o Venom), deixou totalmente de lado a sua relação com a Mary Jane, que por sinal ficou bem apagada no filme. São poucas e mirradas cenas entre os dois e o final (que todos sabem de antemão que vai ser feliz, afinal isso é uma premissa do cinema-pipoca) é meio bobão. O protagonista Tobey Maguire, pra mim, sei lá, não convence. Eu não sei o que é nele. Se ele tem uma cara de bunda inexpressiva ou se é simplesmente uma porcaria de ator mesmo, talvez os dois. SPOILERS, pule para o próximo parágrafo se assim o desejar. Quando ele vira "mau" (ou como eu preferi definir, Emo Revoltado), ele até que convence, a cena de dança no club de jazz foi bem interessante. Mas ele como clássico Peter Parker é uma porcaria, inexpressivo, sem carisma, não aguento ele, fico torcendo para que dê alguma merda e ele precise colocar a roupa de aranha logo.

Tanto ator bom em Hollywood e agora estamos presos com esse traste, por que ja prometeram mais varias edições do filme, que serão muito bem-vindas. Em tempo, podiam trocar o protagonista pro Jake Gyllenhaal (que fez 'O Dia Depois de Amanhã'), ele também tem cara de nerd mas dá um banho de interpretação em Maguire. Ou ainda, o Milo Ventimiglia (o Peter Petrelli, de Heroes), mais parecido com o original dos quadrinhos e MUITO melhor (dica do meu amigo Andre Bandarra).

O cinema tava naturalmente lotado, mas conseguimos um ótimo lugar e ainda vimos com som THX, que todo bom cine-pipoca pede. =)