Simplicidade, sensibilidade e beleza.São as três características mais marcantes dessa obra-prima de David Lynch. Ué, David Lynch? O mesmo diretor de Duna, Twin Peaks, Veludo Azul e Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos)? Mas esse cara num é meio maluco e só faz filme doido? Pois é, eu pensava assim também, nunca vi um filme "normal" dele. Na locadora, porém, pela capa e pela sinpose esse me cativou, minha namorada que viu na verdade, e resolvemos alugar. Na mosca, é um filmaço.
É uma história baseada em fatos (não, não "fatos reais", por que isso é um pleonasmo estúpido, você já ouviu falar de um "fato falso"?). Conta da viagem que um velho (idoso é mais políticamente correto?) que empreende uma viagem de 500km para ver seu irmão que recentemente sofreu um derrame. O interessante é que ele faz a viagem dirigindo um singelo cortador de grama, a uma média de uns 15km/h.
Não se trata de uma trama incrível, o enredo é o mais simples possível e tem pouquíssimos atores, mas a produção, a direção de arte e a fotografia são impecáveis. A trilha sonora cai como uma luva nos cenários de plantações de milho e lindíssima paisagens do centro-oeste americano.
O filme é daqueles que você pode chamar de "lento", porém profundo e belo. A atuação do protagonista, Richard Farnsworth, é emocionante, impossível não se apaixonar por aquele simplório e melancólico velhinho.
Certamente esse filme me fez ver Lynch com outros olhos. Do diretor malucão, pro diretor sensível e capaz de produzir uma obra de beleza plástica e emocional. Se você precisa de tramas complexas, suspense, finais surpreendentes, explosões ou paixões e tudo o mais, não veja esse filme, vai te parecer "coisa de velho" ou "um saco". Veja esse filme como quem assiste a paisagem passar pelo vidro do ônibus em uma viagem longa. =)