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domingo, 27 de maio de 2007

O Cheiro do Ralo

Surrealismo e personagens bem construídos.


Vou confessar que no início senti que esse filme ia ser uma bela merda. Os primeiros dez minutos de filme apresentaram um problema que particularmente me irrita: o som. Sempre considerei o som do cinema brasileiro pífio. Não temos tecnologia nem capacidade pra captar uma bosta de som direito? Não! Isso se nota na grande maioria da produção nacional. Infelizmente esse filme tem um som ruim, a voz do Selton Mello, que já é grave, e nesse filme tem um tom ainda mais grave, as vezes fica incompreensível. (Será que era o sistema de som do cinema? Já vi outros filmes lá sem problema. Whatever, meu comentario sobre som no cinema nacional vale anyway.)

Bom, aos poucos fui me acostumando com o fato de que o som não era dos melhores, relevei e passei a curtir um puta filme. A cenografia impressiona e dá um ar "cool" pro filme, o escritório do protagonista e sua loja de penhores é fantástico. O filme tem um quê daqueles de detetive da década de 70, aquele clima sombrio, com frases em off dando lógica a narrativa, que se passa em sequências repetidas da vida do personagem principal: no bar, no escritorio, diante do ralo.

O enredo é simples, trata-se da história de um dono de loja de penhores que vive as voltas com pessoas querendo lhe vender os mais diversos pertences. Ele os compra ou não baseado no seu humor no dia ou se foi com a cara da pessoa, sempre muito ríspido e babaca (o qual Selton Mello leva a perfeição, canalha e psicopata - hilário). Em torno disso tudo adiciona-se fixação dele pela bunda de uma garçonete e um fedor enloquecedor que vem do ralo do banheiro.

É um típico "filme de personagens", e são os mais variados: a bunda, a dona da bunda, a viciada, o segurança, o olho, o ralo, etc. Se não fossem tão inteligentemente inseridas algumas reviravoltas loucas e inesperadas, o filme poderia se tornar meio chato, pela maneira como o enredo (repetitivo) é construido. O surrealismo permeia quase todas as cenas e diálogos, nunca dá pra imaginar o que vai acontecer, quem é o próximo a aparecer na loja, e os clichês não chegaram nem perto do set nas gravações.

Ah, trilha sonora: ducaralho. Rock progressivo nacional bombando, muito bom!

Depois daquela bosta de Céu de Suely, eu precisava de um filme nacional (mesmo que apenas na produção, pois a estética é totalmente americana) maneiro assim. Certamente, Heitor Dahlia é mais um diretor brasileiro a se prestar atenção.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias

Aonde vi: DVD, no meu sitio, no sul de Minas, lugar aonde nem telefone tem, totalmente "roots".

Esse era o tipo de filme que antes de ver eu tinha alguma certeza de que era bom, nem precisei perguntar muito por aí. Minutos antes de assistir, minha mãe, que não é lá muito fã de cinema nacional falou que adorou, mais um ponto.

O filme é realmente muito bom, bem acima da média dos filmes nacionais que vi recentemente. A produção é o que mais impressiona, impecável. Os figurinos, a cenografia, a composição da época em que o filme se passa (anos 70, mais exatamente no ano de 1970). O filme conta a historia de um menino cujos pais "saem de férias" para fugir da ditadura, e tem como pano de fundo a ditadura militar (obviamente) e a Copa do Mundo de 1970, a qual o Brasil ganhou e que trouxe um fio de alegria num povo que vivia acoado nas ruas pelas constantes repressões da policia.

O ator mirim é bom, mas não é ótimo. A menina, que faz o papel de coadjuvante é melhor e dá um certo brilho a relação dos dois no filme, que é muito bem colocada, de forma sensível e sutil. Não há clichês, não tem piadas idiotas e óbvias, o humor é inteligente e a crítica leve porém presente em cada momento. Pra quem não é fã de cinema nacional, mas gosta de filme com crianças, dê uma chance a este, não vai se arrepender. Pra quem é fã, nem preciso falar nada, você provavelmente já viu esse filme. =)