quinta-feira, 13 de setembro de 2007

The Corporation (A Corporação)

Se você curte documentários, e mais ainda, se você gosta daqueles que você termina e fala "caralho, nunca tinha pensado nisso" você vai adorar esse filme. Diria eu, no mesmo nivel de Bowling for Columine e Super Size Me.

O título desse é bem óbvio, mas como isso é um blog de resenhas de filmes, preciso dar no mínimo uma explicação resumida assim, bem no estilo, pra criança de 5 anos. É um filme que fala da história desse negócio chamado "corporação" ou "empresa". E como essa entidade passou a ser hoje em dia onipresente em nossas vidas e já suplantou de longe, para a grande maioria da população do planeta, o impacto que o Estado, e a Igreja já tiveram em outros momentos da história.

Claro que não é uma história bonita, e a medida que o filme vai passando e os depoimentos vão sendo dados, você fica realmente assustado em perceber que o mundo gira em torno de dinheiro e interesses. Conta com as colaboração ilustre de influentes como Michael Moore, Noam Chomsky e o recentemente falecido, Milton Friedman.

Em tempos de crise econômica, queda do dólar, guerras e aquecimento global, esse filme entra como se fosse a peça que estava faltando no quebra-cabeça pra mostrar o óbvio: quem são os grandes culpados.

Não é daqueles documentários chatos e tendenciosos, os depoimentos defendem uns argumentos que você acharia loucura inicialmente, mas que depois coloca sua cabeça pra funcionar. Com algumas pitadas de humor, uma edição e montagem fantásticas, esse é um filmaço que é obrigatório para qualquer pessoa que deseje "sair do casulo".

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Saneamento Básico, o Filme

Uma comédia doce e ingênua, coisa rara no cinema nacional.

Quem é fã de comédia e já assistiu a muitas de todos os lugares do planeta, não deve ter dificuldades em reconhecer os estilos de cada país. Pastelões e sátiras americanas, humor sutil inglês e poético europeu. Evidente que isso não é regra, afinal existe um forte intercâmbio e influências entre os cineastas e os filmes nem sempre se prendem a tais "estilos".

No caso do Brasil, no entanto, isso ocorria. As comédias aqui seguem um padrão de novela das sete. Não que seja ruim, mas chega uma hora que cansa. Temos excelentes atores e roteiristas, mas ficamos presos nos mesmos temas e formatos. Algumas, mesmo assim, se destacam como O Auto da Compadecida e o Coronel e o Lobisomem. Mas pensem bem nesses filmes e percebeam o ar novelesco dos mesmos.

Saneamento Básico foje a regra. O clima é de comédia italiana, inocente, personagens bobos simples. Não há piadas, não é necessário. As situações são engraçadas, há poesia na humildade do povo e da história. Se alguém lhe contar o enredo do filme você vai achar que se trata de um filme B e que provavelmente é muito ruim. É preciso ver pra crer. Eu mesmo não tinha grandes esperanças, mas adorei o que vi.

Humor simples e inocente é o que falta ao cinema brasileiro. Esse filme nos brinda com o que há de melhor do gênero com um elenco que dispensa apresentações.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Ratatouille

A definitiva vitória da animação por computador ao combinar a mágica caricatural com o detalhe e texturas que só a computação gráfica pode oferecer.

Quando li a primeira resenha desse filme, pouco antes de ser lançado no Brasil, fiquei espantado quando usaram o termo "obra de arte" e como sou aficcionado por animação fiquei louco pra assitir (e no cinema) logo. Não exageraram.

Logo que o filme começa se percebe que estamos falando de um novo patamar na animação. As texturas e a iluminação são simplesmente perfeitas, mas não é nada comparado ao que vem por aí. As comidas e o cenário (cozinha) dão o show. A equipe se superou dessa vez em um trabalho de pesquisa monumental para desenhar todas as comidas, utensílios, panelas, os pratos e os ingredientes de forma tão espetacular que só de ver dá fome. Só faltou mesmo sair cheiro da tela. Os personagens estão ótimos e não tem como não se apaixonar pelo atrapalhado Linguini e pelo ratinho com crise existencial, Remy.

A história, naturalmente, é bobinha, afinal, é um filme de animação e as crianças tem que poder aproveitá-lo também. Mesmo que já a algum tempo esses filmes são verdadeiramente para toda a família, com piadas e conteúdos para todas as idades. Trata-se de um ratinho que vive nos esgotos de Paris que tem uma queda para culinária e não entende como seus irmãos a amigos conseguem se alimentar de lixo. Tudo muda quando em uma confusão ele se separa da familia e conhece Linguini, um desastrado aspirante a cozinheiro no mais renomado restaurante de Paris. Da parceira dos dois vão surgindo situações engraçadas e pratos deliciosos.

Esse filme com certeza está junto com Nemo e Os Incríveis no topo do topo das minhas animações preferidas. Nemo sendo o mais emocionante, Os Incríveis sendo o mais divertido, e esse, disparado, sendo o mais perfeito.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

The Chumscrubber (Más Companhias)

Uma crítica contundente da sociedade americana no formato de teen movie.

A primeira vista (na capa do DVD) é um teen movie como qualquer outro, mas quando você lê a sinopse e vê nomes como Ralph Fienes (que por sinal, está fantástico) e Glenn Close no elenco percebe-se que não poderia se tratar disso. E não se trata mesmo.

O filme conta a história de uma comunidade, ou melhor, um conjunto de condomínios nos EUA que vive em seu próspero, belo e organizado mundinho particular. Tudo é lindo, as casas, as pessoas e os arredores. As drogas, no entanto, se prestam a um papel um pouco maior do que a simples recreação e está nas engrenagens matrizes dessa sociedade. E não apenas usadas por jovens desavisados, mas por todos, inclusive aqueles que aparentam ser os mais certinhos. Quando falo droga, não me refiro apenas aquelas ilegais e óbvias. O filme não é óbvio.

O clima de teen movie permeia todo o filme, afinal muitas cenas ocorrem na escola e são vividas por adolescentes em pleno high school (como sempre), com pais boçais vivendo em enormes mansões.

Diferentemente da maioria dos filmes do gênero, a mensagem passada por esse filme é sutil e o final não é nada previsível. Existe uma certa loucura em alguns personagens e diálogos que simplesmente não caberiam na Sessão da Tarde. Não é nenhum grande filme, mas vale a pena pois surpreende por ser despretensioso e com uma direção e elenco de muita qualidade.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's 13)

A terceira edição dessa mega produção chega com força nos cinemas, mas com razão, filme com elenco de peso que vai de Brad Pitt ao ganhador do Oscar Al Pacino.

O filme respeita a fórmula dos dois enredos anteriores, especulações, canastrismo, reviravoltas, o sorriso canalha de Clooney, piadinhas dos comparsas, cassinos, planos elegantes (smoking a rigor), altamente tecnológicos, perfeitamente arquitetados e seguidos pela trupe, esta que, a cada filme aumenta seu número, seja para deixar a trama ainda mais complexa ou simplesmente pra deixar uma coerência de números. Será que daqui a uns anos vai chegar o Ocean's 20? Lógico, contando com os faxineiros e os jogatinos :).

Um dos pontos positivos do filme logicamente vai para o gênio Al Pacino, que simplesmente fez a franquia manter o patamar com seu show de interpretação, para quem poderia dar um papel de vilão se não para um dos melhores vilões de todos os tempos? Pelo menos desta vez Matt Damon teve uma presença razoavelmente atuante e cômica já que nos anteriores estava um pouco apagado, já Brad Pitt como sempre se mantendo o papel de bom amigo, co-atuante e coadjuvante do protagonista.

Algumas coisas não se encaixaram. Andy Garcia em toda franquia se mantém exageradamente frio e calculista. Até o maior dos canalhas merece um suor no rosto ou um cabelo despenteado. Acho que a frieza e distância ficou tão clara que atrapalhou sua própria competência artística no filme. Ou será o excesso de botox?

Para quem gostou dos anteriores será um prato cheio pela ação e pelo próprio jogo que circula em torno da trama, sem esquecer que é um grande presente para o público feminino. Para um pseudo-crítico como o editor desta coluna resume-se a um bom cinema-pipoca, que facilmente pode ser visto pela família num fim de semana.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

The Fountain (Fonte da Vida)

Um daqueles filmes que te faz pensar; que rende no mínimo um papo de uma hora no caminho de volta pra casa. Além disso, é lindo, com visuais que despertam os sentidos.

Não é novo, nem lançamento. Esse filme passou no cinema aqui no Brasil a cerca de 6 meses atrás, mas pelo visto, ninguém viu. Comento com amigos e ninguém sequer sabe que filme é esse. Uma pena. Espero que com mais essa resenha, eu consiga mais alguns espectadores brasileiros com quem poderei conversar a respeito.

O filme é um misto de épico/sci-fi/drama, e é excelente nos três. Conta a história de um casal; a mulher sofre de um câncer incurável e o marido é um pesquisador de elite que está perto de achar a cura.

As três historias em paralelo: um mundo fantástico, dentro de uma estrela, com belíssimos efeitos visuais, onde o protagonista agoniza de saudades de sua mulher enquanto mantém a árvore da vida. Na outra, se passa na Espanha dos tempos medievais aonde um conquistador sai a procura da árvore da vida para salvar o destino do império e de sua amada rainha.

A relação entre as três histórias (fora a Árvore, que está presente em duas delas) não é totalmente óbvia, e só após o fim do filme é que se consegue chegar a conclusão através de uma reflexão. A mensagem passada é profunda, coisa rara nos filmes de hoje. Talvez por isso esse filme não tenha feito tanto sucesso nas bilheterias, é um filme "difícil".

Parece meio óbvio dizer isso, mas as interpretações dos protagonistas Rachel Weisz (a Tessa de Jardineiro Fiel) e Hugh Jackman (o Wolverine) estão exemplares. É um filme basicamente triste e melancólico, e suas expressões não falham sequer um segundo ao expressar esse clima. O elenco conta também com a sempre bem-vinda Ellen Burstyn.

A direção desse filme é excelente, assinada por Darren Aronofsky (mesmo do Requiem Para Um Sonho). O que ele consegue fazer em termos de montagem e enredo, como as histórias se entrelaçam e vai sendo contada é genial.

E pra premiar ainda mais a mágica desse filme, ele conta com efeitos especiais e uma direção de arte e fotografia de dar inveja em um muito filme de diretor consagrado. As cenas da parte sci-fi, na estrela, especialmente a sequência final, são de te impedir de piscar os olhos por um bom tempo, é lindo.

Certamente foi uma bela supresa, pois eu também não sabia nada a respeito desse filme e ele foi aos poucos ganhando espaço e no final eu já estava totalmente envolvido e feliz por poder assistir a essa obra-prima na telona.

domingo, 27 de maio de 2007

O Cheiro do Ralo

Surrealismo e personagens bem construídos.


Vou confessar que no início senti que esse filme ia ser uma bela merda. Os primeiros dez minutos de filme apresentaram um problema que particularmente me irrita: o som. Sempre considerei o som do cinema brasileiro pífio. Não temos tecnologia nem capacidade pra captar uma bosta de som direito? Não! Isso se nota na grande maioria da produção nacional. Infelizmente esse filme tem um som ruim, a voz do Selton Mello, que já é grave, e nesse filme tem um tom ainda mais grave, as vezes fica incompreensível. (Será que era o sistema de som do cinema? Já vi outros filmes lá sem problema. Whatever, meu comentario sobre som no cinema nacional vale anyway.)

Bom, aos poucos fui me acostumando com o fato de que o som não era dos melhores, relevei e passei a curtir um puta filme. A cenografia impressiona e dá um ar "cool" pro filme, o escritório do protagonista e sua loja de penhores é fantástico. O filme tem um quê daqueles de detetive da década de 70, aquele clima sombrio, com frases em off dando lógica a narrativa, que se passa em sequências repetidas da vida do personagem principal: no bar, no escritorio, diante do ralo.

O enredo é simples, trata-se da história de um dono de loja de penhores que vive as voltas com pessoas querendo lhe vender os mais diversos pertences. Ele os compra ou não baseado no seu humor no dia ou se foi com a cara da pessoa, sempre muito ríspido e babaca (o qual Selton Mello leva a perfeição, canalha e psicopata - hilário). Em torno disso tudo adiciona-se fixação dele pela bunda de uma garçonete e um fedor enloquecedor que vem do ralo do banheiro.

É um típico "filme de personagens", e são os mais variados: a bunda, a dona da bunda, a viciada, o segurança, o olho, o ralo, etc. Se não fossem tão inteligentemente inseridas algumas reviravoltas loucas e inesperadas, o filme poderia se tornar meio chato, pela maneira como o enredo (repetitivo) é construido. O surrealismo permeia quase todas as cenas e diálogos, nunca dá pra imaginar o que vai acontecer, quem é o próximo a aparecer na loja, e os clichês não chegaram nem perto do set nas gravações.

Ah, trilha sonora: ducaralho. Rock progressivo nacional bombando, muito bom!

Depois daquela bosta de Céu de Suely, eu precisava de um filme nacional (mesmo que apenas na produção, pois a estética é totalmente americana) maneiro assim. Certamente, Heitor Dahlia é mais um diretor brasileiro a se prestar atenção.